Ativo Imobilizado: Perguntas e Respostas Essenciais para Empresas de Pequeno e Médio Porte
Empresas de pequeno e médio porte, em sua maioria, não são auditadas e muitas vezes não possuem um controle estruturado do ativo imobilizado. Ainda assim, são frequentemente questionadas por contadores, bancos, investidores, órgãos reguladores e até em processos de venda, sucessão ou reorganização societária sobre a existência, o valor e a consistência de seus ativos.
Diante desse cenário, reunimos abaixo as principais dúvidas relacionadas ao tema, com respostas técnicas, objetivas e alinhadas às normas contábeis vigentes.
O que é o ativo imobilizado e por que uma empresa deve controlar?
O ativo imobilizado é o conjunto de bens tangíveis que a empresa utiliza para manter suas atividades operacionais e que não se destinam à venda, possuindo vida útil superior a um exercício social.
O controle do ativo imobilizado é fundamental porque esses bens:
- Representam parte relevante do patrimônio da empresa
- Impactam diretamente o resultado contábil via depreciação
- Influenciam o balanço patrimonial
- São base para financiamentos, valuation, seguros e auditorias
- Estão sujeitos às exigências das normas contábeis, especialmente o CPC 27
Sem controle, a empresa corre riscos como:
- Informações contábeis inconsistentes
- Perda de ativos
- Depreciação incorreta
- Questionamentos fiscais e societários
Quais são as principais contas do ativo imobilizado? Cite exemplos de itens
As contas do ativo imobilizado normalmente são organizadas por grupos de natureza semelhante, entre eles:
- Terrenos
→ Áreas, lotes, glebas - Edificações e benfeitorias
→ Prédios, galpões, reformas estruturais - Máquinas e equipamentos
→ Máquinas industriais, equipamentos produtivos - Móveis e utensílios
→ Mesas, cadeiras, armários - Veículos
→ Carros, caminhões, empilhadeiras - Equipamentos de informática
→ Computadores, servidores, notebooks - Instalações
→ Elétricas, hidráulicas, ar comprimido
Cada item dentro desses grupos deve ser identificado individualmente, sempre que possível.
O que é a depreciação?
A depreciação é o reconhecimento contábil da perda de valor dos bens ao longo do tempo, em função de uso, desgaste, obsolescência ou ação da natureza.
Ela representa:
- Um custo econômico do ativo
- Uma despesa contábil periódica
- Um mecanismo de alocação do valor do bem ao resultado
Qual o efeito da depreciação para empresas do Lucro Real, Presumido ou Simples?
Lucro Real
- A depreciação é dedutível fiscalmente
- Reduz o lucro tributável
- Impacta IRPJ e CSLL
Lucro Presumido
- A depreciação não gera benefício fiscal direto
- Tem efeito exclusivamente contábil
- Ainda assim, é obrigatória do ponto de vista técnico
Simples Nacional
- Não há aproveitamento fiscal direto
- A depreciação não reduz o imposto
- Porém, continua sendo obrigatória contabilmente
Uma empresa do Simples tem benefícios com a depreciação?
Do ponto de vista tributário, não.
Do ponto de vista contábil, gerencial e patrimonial, sim.
A depreciação:
- Mantém o patrimônio atualizado
- Evita superavaliação de ativos
- Prepara a empresa para futuras mudanças de regime tributário
- Dá suporte a crédito, valuation e reorganizações
Posso não depreciar no Simples e começar a depreciar apenas no Lucro Real?
Tecnicamente, não é a prática recomendada.
A depreciação deve ser registrada desde o início da vida útil do ativo, independentemente do regime tributário. Caso contrário:
- Haverá distorção no valor contábil
- Perda de histórico
- Risco de questionamentos futuros
O correto é depreciar continuamente e, ao mudar de regime, aproveitar a base contábil já ajustada.
Devo controlar o ativo item a item ou por grupo?
A boa prática, conforme o CPC 27, é o controle individualizado dos ativos relevantes, ou seja:
- Item a item, com identificação própria
- Grupo apenas para bens de baixo valor e mesma natureza
O controle por grupo reduz a rastreabilidade e dificulta:
- Inventários
- Baixas
- Avaliações
- Conciliações
É preciso fazer inventário todos os anos?
Não necessariamente um inventário físico completo todos os anos, mas é fundamental:
- Ter base patrimonial confiável
- Realizar inventários periódicos
- Fazer conferências e atualizações contínuas
Empresas com boa governança costumam:
- Fazer inventário completo inicial
- Atualizações anuais
- Inventários cíclicos
Posso depreciar um ativo avaliado sem nota fiscal?
Sim, desde que exista um laudo técnico de avaliação.
O CPC 27 permite o reconhecimento de ativos:
- Com base em valor justo
- Desde que haja suporte técnico
- Com documentação adequada
Sem nota fiscal, o laudo passa a ser o documento-base para:
- Registro
- Depreciação
- Justificativa técnica
O laudo de inventário ou avaliação serve como suporte para a contabilidade?
Sim.
O laudo é um documento técnico essencial, que:
- Sustenta os registros contábeis
- Dá respaldo a auditorias
- Justifica valores, vidas úteis e classificações
- Demonstra diligência da administração
É melhor fazer inventário com equipe própria ou consultoria especializada?
Na prática, consultorias especializadas são mais eficientes, porque:
- Têm metodologia própria
- Conhecem as normas contábeis
- Utilizam tecnologia adequada
- Reduzem riscos de erro
- Entregam documentação validável
Equipes internas, sem conhecimento técnico, tendem a:
- Cometer falhas de classificação
- Coletar dados incompletos
- Gerar retrabalho
Por que inventário com aplicativo é melhor do que com papel?
Inventários com aplicativo:
- Reduzem erros manuais
- Padronizam informações
- Permitem validação em tempo real
- Integram fotos e documentos
- Facilitam conciliação e auditoria
O papel:
- Gera retrabalho
- Dificulta consolidação
- Aumenta risco de perda de informação
É necessário fazer conciliação após o levantamento físico?
Sim.
O levantamento físico não encerra o projeto.
A conciliação físico-contábil é essencial para:
- Alinhar ativos físicos e registros contábeis
- Identificar sobras físicas e contábeis
- Ajustar o balanço patrimonial
Sem conciliação, o inventário fica incompleto.
Quando não há controle, devo inventariar tudo ou só os principais bens?
Quando não há controle, o correto é:
Inventariar 100% dos bens
Inventariar apenas os “principais” gera:
- Base inconsistente
- Risco de omissões
- Falhas futuras em auditorias
O que o CPC 27 diz para pequenas e médias empresas?
O CPC 27 não diferencia exigências com base no porte da empresa.
Ele determina que todas as empresas devem:
- Reconhecer corretamente seus ativos
- Controlar individualmente quando relevante
- Depreciar adequadamente
- Revisar vidas úteis
- Manter documentação de suporte
Ou seja: pequenas e médias empresas também devem cumprir.
A gestão do ativo imobilizado não é exclusividade de grandes empresas ou auditadas. Ela é um pilar básico de organização, governança e sustentabilidade empresarial.
Implantar um projeto patrimonial estruturado significa:
- Ter números confiáveis
- Reduzir riscos
- Profissionalizar a gestão
- Preparar a empresa para o crescimento
E tudo começa com informação correta, metodologia adequada e decisões técnicas bem fundamentadas.
Data: 09/01/2026