Governança Patrimonial como Pilar da Gestão Empresarial Moderna
Por que o ativo imobilizado deixou de ser operacional e passou a ser estratégico
Durante muito tempo, o ativo imobilizado foi tratado como um tema secundário dentro das organizações. Em muitas empresas, sua gestão ficava restrita a controles básicos, frequentemente mantidos em planilhas, com atualizações esporádicas e forte dependência de conhecimento tácito. Esse modelo, ainda presente em boa parte do mercado, tornou-se incompatível com a complexidade atual dos negócios.
A evolução dos modelos de Corporate Governance, a intensificação das auditorias independentes, a busca por transparência (Transparency) e a necessidade de decisões baseadas em dados (data-driven management) reposicionaram a gestão patrimonial como um dos pilares da administração moderna.
Ativo imobilizado e essência econômica
A literatura contábil brasileira é clara ao afirmar que o ativo deve representar um recurso controlado, do qual se espera a geração de benefícios econômicos futuros. Essa definição, amplamente difundida por autores como Eliseu Martins, conecta diretamente a gestão patrimonial à estratégia empresarial.
Quando uma organização não possui clareza sobre:
- a existência física de seus ativos,
- sua localização,
- sua condição operacional,
- seu valor econômico real,
ela compromete não apenas a contabilidade, mas também decisões de investimento, expansão, desmobilização e financiamento.
Governança patrimonial na prática
Governança patrimonial não se resume ao atendimento de normas. Ela envolve a criação de processos estruturados, capazes de garantir:
- confiabilidade da informação;
- rastreabilidade dos bens;
- consistência entre registros físicos e contábeis;
- previsibilidade financeira.
Na prática, empresas maduras adotam um modelo integrado que conecta inventário, conciliação, avaliação e gestão contínua, formando um verdadeiro asset governance framework.
Inventário como base de dados estratégica
O inventário patrimonial moderno é um processo técnico, orientado por metodologia. Ele não se limita à identificação dos bens, mas constrói uma base de informações que alimenta múltiplas áreas da organização.
Esses dados passam a ser utilizados para:
- análises de CAPEX e OPEX;
- estudos de eficiência operacional;
- avaliação de riscos;
- planejamento tributário;
- suporte a auditorias.
O inventário deixa de ser um “evento” e passa a ser um ativo informacional.
Conciliação físico-contábil: reduzindo assimetrias
Um dos maiores desafios enfrentados pelas áreas de controladoria é a existência de assimetrias entre o mundo físico e o contábil. Ativos inexistentes nos registros, bens sem lastro contábil ou classificados incorretamente geram distorções relevantes.
A conciliação físico-contábil atua exatamente nesse ponto crítico, promovendo:
- saneamento das bases históricas;
- eliminação de distorções;
- maior confiabilidade dos demonstrativos financeiros.
Esse processo é decisivo em empresas que passam por auditorias, reestruturações ou operações societárias.
Avaliação patrimonial e tomada de decisão
A avaliação do ativo imobilizado, quando conduzida sob critérios técnicos, transcende o atendimento normativo. Ela fornece subsídios reais para decisões estratégicas, como:
- venda de ativos;
- modernização do parque fabril;
- terceirização de operações;
- encerramento ou expansão de unidades.
A mensuração adequada do Fair Value, conforme CPC 46 (Fair Value Measurement), permite que o patrimônio reflita sua real capacidade de geração de valor.
Tecnologia como alicerce da governança
A consolidação da governança patrimonial passa, inevitavelmente, pela tecnologia. Softwares especializados em Asset Management permitem:
- centralização das informações;
- controle de movimentações;
- histórico auditável;
- integração com ERPs;
- geração de relatórios gerenciais.
A tecnologia reduz dependência de controles manuais, minimiza erros e fortalece a governança corporativa.
A governança patrimonial deixou de ser um tema operacional para se tornar um instrumento estratégico de gestão empresarial. Organizações que compreendem essa mudança constroem bases mais sólidas para crescimento, conformidade regulatória e sustentabilidade financeira.
Data: 31/01/2026