EBITDA, Depreciação e Ativo Imobilizado:
Quando os Indicadores Não Refletem a Realidade Econômica da Empresa
No ambiente corporativo contemporâneo, marcado por decisões cada vez mais orientadas por dados (data-driven decision making), poucos indicadores possuem tanta relevância quanto o EBITDA (Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization). Amplamente utilizado por gestores, investidores, analistas financeiros e instituições de crédito, o EBITDA se consolidou como uma métrica-chave para avaliar a capacidade operacional de geração de caixa de uma empresa, independentemente de sua estrutura de capital ou regime tributário.
Entretanto, apesar de sua ampla aceitação no mercado, o EBITDA frequentemente é analisado de forma isolada, desconsiderando um ponto fundamental: a qualidade das informações contábeis que o sustentam, especialmente aquelas relacionadas ao Ativo Imobilizado e à Depreciação.
Esse descuido compromete não apenas a credibilidade do indicador, mas também a transparência dos resultados reportados ao mercado.
O que o EBITDA mede — e o que ele não mede
Tecnicamente, o EBITDA representa o resultado operacional antes dos efeitos de:
- Interest (resultado financeiro),
- Taxes (impostos sobre o lucro),
- Depreciation and Amortization (depreciação e amortização).
Seu principal objetivo é evidenciar a performance operacional pura (operating performance), eliminando distorções decorrentes de decisões financeiras, fiscais ou contábeis.
No entanto, o que muitas análises negligenciam é que a depreciação, embora excluída no cálculo do EBITDA, não deixa de existir economicamente. Ela representa o consumo do potencial econômico dos ativos, algo absolutamente real e mensurável.
Como ensina Eliseu Martins, um dos maiores expoentes da contabilidade brasileira:
“A depreciação não é um artifício contábil; ela representa a perda do potencial de serviços do ativo ao longo do tempo.”
Ou seja, quando a base de cálculo da depreciação está equivocada, o EBITDA passa a ser um número tecnicamente frágil, ainda que aparentemente atrativo.
A relação estrutural entre EBITDA e Depreciation
Embora o EBITDA exclua a depreciação do seu cálculo final, ele depende diretamente da consistência da política de depreciação adotada pela empresa.
Isso ocorre porque:
- A Depreciation impacta diretamente o EBIT (Operating Income);
- O EBITDA é calculado a partir do EBIT, com o acréscimo da depreciação;
- Se a depreciação não reflete a realidade econômica dos ativos, o EBIT estará distorcido, e o EBITDA, consequentemente, também.
Em outras palavras:
Não existe EBITDA confiável sem um Ativo Imobilizado bem estruturado.
O problema recorrente: Ativo Imobilizado desorganizado
Na prática empresarial, é extremamente comum encontrar empresas com:
- Inventários patrimoniais desatualizados ou inexistentes;
- Ativos sem identificação física (asset tagging);
- Vida útil definida com base apenas em taxas fiscais;
- Valor residual inexistente ou arbitrário;
- Bens obsoletos ainda depreciando;
- Ativos inexistentes contabilmente (ghost assets);
- Ativos existentes não registrados (hidden assets).
Esse cenário viola princípios fundamentais da contabilidade, como:
- Essência sobre a Forma (Substance over Form);
- Prudência;
- Representação Fidedigna (Faithful Representation).
E gera um efeito cascata:
➡ depreciações irreais →
➡ resultados distorcidos →
➡ EBITDA artificial →
➡ decisões gerenciais equivocadas.
CPC 27: Vida útil e valor residual não são opcionais
O CPC 27 – Ativo Imobilizado, alinhado ao IAS 16, é claro ao estabelecer que a depreciação deve ser calculada com base em:
- Vida útil econômica estimada;
- Valor residual esperado;
- Padrão de consumo dos benefícios econômicos futuros.
Não se trata de mera formalidade normativa. Esses parâmetros são essenciais para que a Depreciation Expense represente efetivamente a realidade operacional da empresa.
Empresas que mantêm taxas de depreciação padronizadas, sem revisão periódica, violam o próprio conceito econômico do ativo, comprometendo o resultado e a análise de performance.
CPC 01 e o teste de impairment: quando o ativo não se recupera
Outro ponto crítico é a ausência do Teste de Impairment, previsto no CPC 01 – Redução ao Valor Recuperável de Ativos.
O impairment busca responder a uma pergunta simples e objetiva:
O valor contábil do ativo é recuperável via uso ou venda?
Quando esse teste não é realizado:
- Ativos obsoletos continuam inflando o balanço;
- A depreciação perde sentido econômico;
- O resultado operacional é artificialmente elevado;
- O EBITDA deixa de refletir a real capacidade de geração de caixa.
Para investidores e analistas, isso representa um red flag claro em processos de valuation, due diligence e análise de risco.
EBITDA, Valuation e a percepção do mercado
Em processos de Enterprise Valuation, o EBITDA é frequentemente utilizado como base para:
- Múltiplos de mercado (EV/EBITDA);
- Avaliação de capacidade de endividamento;
- Análise de retorno sobre investimento (ROI);
- Negociações em fusões e aquisições (M&A).
Quando o EBITDA é sustentado por uma base patrimonial frágil, o risco é evidente:
- Valuation inflado artificialmente;
- Expectativas de retorno irreais;
- Questionamentos por auditores independentes;
- Ajustes posteriores que impactam credibilidade.
Gestores experientes sabem:
O mercado penaliza inconsistências patrimoniais com desconfiança.
Inventário físico: o primeiro passo para a transparência
A busca por indicadores confiáveis começa, invariavelmente, com um Inventário Físico Geral do Ativo Imobilizado.
Esse processo permite:
- Identificar a existência real dos bens;
- Validar localização e estado de conservação;
- Segregar ativos em uso, ociosos ou obsoletos;
- Corrigir divergências físico-contábeis;
- Criar uma base sólida para avaliação e depreciação.
Sem inventário, qualquer número é apenas uma estimativa — e estimativas não sustentam decisões estratégicas.
Avaliação, vida útil e valor residual: alinhando contabilidade e realidade
Após o inventário, a empresa deve avançar para:
- Reavaliação da vida útil econômica;
- Definição técnica do valor residual;
- Revisão do método de depreciação;
- Aplicação do teste de recuperabilidade (impairment test).
Esse conjunto de ações permite que:
- A depreciação represente o consumo real do ativo;
- O resultado contábil seja tecnicamente defensável;
- O EBITDA reflita uma performance operacional legítima;
- Os indicadores gerenciais se tornem instrumentos de decisão — e não de ilusão.
Governança, compliance e confiança nos números
Empresas que estruturam corretamente seu Ativo Imobilizado demonstram:
- Compromisso com corporate governance;
- Aderência às normas contábeis (compliance);
- Transparência na comunicação com stakeholders;
- Maturidade na gestão econômico-financeira.
Isso se traduz em maior confiança por parte de:
- Investidores;
- Conselhos de administração;
- Instituições financeiras;
- Auditorias independentes;
- Órgãos reguladores.
Conclusão: EBITDA confiável começa no Ativo Imobilizado
O EBITDA continua sendo um indicador relevante e amplamente utilizado. No entanto, sua credibilidade depende diretamente da qualidade das informações que o sustentam, especialmente aquelas relacionadas à depreciação e ao Ativo Imobilizado.
Empresas que negligenciam inventários, avaliações, vida útil e impairment não apenas distorcem seus indicadores, mas assumem riscos significativos de governança, compliance e tomada de decisão.
Transparência não nasce no relatório final — ela começa no ativo físico, passa pela contabilidade e se consolida nos indicadores.
Pensar nisso é mais do que uma boa prática contábil.
É uma decisão estratégica.
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Data: 27/01/2026