Avaliação de Ativos para Seguro Patrimonial: por que é indispensável — e como fazer direito
Quando se trata de seguro patrimonial ligado ao Ativo Imobilizado (máquinas, equipamentos, instalações, edifícios), a pior estratégia é “chutar” valores. Em caso de sinistro, o “chute” pode sair caríssimo: além de underinsurance (seguro abaixo do necessário), há risco de aplicação de cláusula de rateio (co-insurance/average clause), franquias mal dimensionadas e exclusions não identificadas. A solução técnica — e auditável — é a avaliação de ativos para fins de seguro com laudo técnico e analítico completo (com photos/as-is condition), alinhada às melhores práticas do mercado segurador e às normas de engenharia de avaliações.
Por que o balanço não resolve o problema do seguro
Os números do Balanço Patrimonial seguem o CPC 27 (custo histórico – depreciação – valor residual), ótimos para financial reporting, mas inadequados para definir valor segurável. Seguro patrimonial trabalha com Replacement Cost New (RCN) — ou custo de reposição a novo — e, quando aplicável, RCNLD (Replacement Cost New Less Depreciation), considerando obsolescência física/funcional/econômica, frete, instalação, comissionamento e tributos recuperáveis ou não. É comum um ativo estar totalmente depreciado na contabilidade e, ainda assim, exigir alto reinstatement value para recomposição após perda. Por isso, na dúvida, definir qualquer valor não está correto; é receita para subseguro.
Por que a “regra de Pareto” não funciona aqui
Tentar assegurar “só os 20% que valem 80%” pode falhar feio. Em plantas industriais, ativos “periféricos” (painéis, tubulações, utilidades, bases, infraestrutura civil) somam material amounts e determinam a retomada operacional (operational recovery). Sem um inventário analítico avaliado — com tagging, digital photos e attributes (marca/modelo/serial, capacidade, ano, condição, localização, centro de custo) — você perde a visão de conjunto e corre o risco de gaps na cobertura. Analítico avaliado com fotos digitalizadas faz total diferença na aceitação técnica, na precificação do risco e na liquidação do sinistro.
Laudo técnico: o passaporte para mitigar perdas
Um laudo técnico para fins de seguro robusto descreve escopo, metodologia, premissas, limitações, bases de custo, índices e fontes; apresenta RCN/RCNLD por item, mapas de localização, memoriais fotográficos, e consolida valores por setor/edifício/ramo para dialogar com a apólice (scheduling). Isso mitiga perdas ao reduzir disputas, acelerar loss adjustment e sustentar indemnity sem glosas indevidas. As seguradoras listadas na SUSEP e as entidades setoriais (CNseg) valorizam documentação técnica idônea, pois melhora risk assessment e pricing. Serviços e Informações do Brasilcnseg.org.br
Como a avaliação conversa com a apólice
- Base de cobertura: All Risks vs Named Perils.
- Âmbito do valor segurável: building, machinery & equipment, contents, improvements, civil works, stock (quando aplicável).
- Parâmetro de valor: RCN (com ou sem depreciação), valor de mercado em casos específicos.
- Franquias e Sublimits: calibrados com a criticidade de ativos e cenários de perda.
- Business Interruption (BI): quando há lucros cessantes e increased cost of working, a avaliação ajuda a dimensionar insurable gross profit e period of indemnity.
- Endorsements: cláusulas de desvalorização acelerada, escala de depreciação, automatic reinstatement, debris removal, expediting expenses.
Autoridades que pavimentaram o caminho (mini-bios)
No Brasil, a ponte entre Contabilidade, Avaliação e Governança foi construída por nomes como Prof. Eliseu Martins (Professor Emérito da FEA-USP São Paulo e Ribeirão Preto; ex-Diretor da FEA-USP; ex-Diretor da CVM), referência incontornável na discussão de mensuração de ativos, disclosure e qualidade da informação. fea.usp.brfearp.usp.br
Sérgio de Iudícibus, outro ícone da FEA-USP, é um dos principais pensadores da Teoria da Contabilidade no país, autor de obras clássicas e formador de gerações de profissionais que hoje transitam entre o mundo contábil, a avaliação e o mercado financeiro. fea.usp.brWikipédia
Quando a avaliação é inadiável
- Apólices novas ou renovações relevantes (troca de seguradora, mudança de limites, inclusão de novos sites).
- Capex e desinvestimentos significativos.
- Mudanças tecnológicas que alterem replacement costs (importados, lead time, câmbio).
- Sinistros recentes: usar a avaliação para recalibrar sums insured e sublimits.
- Projetos multi-site: para evitar blanket limits subestimados.
Processo recomendado (best practice)
- Kick-off & Scoping: alinhar sites, ramos, coberturas e deliverables (inventário, laudos por unidade, consolidados).
- Data Room: colher plant layouts, listas de ativos, as built, notas fiscais, projetos.
- Levantamento físico (método walk-down): identificação, tagging/QR, fotografias, atributos.
- Valoração: curvas de custo, bases setoriais, cotações, índices de engenharia; cálculo de RCN/RCNLD por item e roll-up por agrupamentos.
- Qualidade & Auditoria: peer review, trilha de evidências e reprodutibilidade.
- Integração com Seguro: mapeamento para schedules, sublimits, franquias, recomendações de risk improvement.
- Atualização periódica (roll-forward): manter sums insured próximos da realidade em mercados voláteis.
E o mercado? Quem são as grandes seguradoras atuantes
Abaixo, 50 seguradoras com atuação destacada no Brasil (multi-ramos e/ou foco em patrimonial), listadas em ordem alfabética, compiladas a partir de rankings setoriais (Sincor-SP 2024; Valor 1000 2024 – ramos gerais) e registros públicos da SUSEP. Rankings variam por segmento e período, mas estes players são recorrentes e reconhecidos pelo mercado. fenacor.org.brinfograficos.valor.globo.comwww2.susep.gov.br
- AIG Seguros Brasil
- Akad Seguros
- Alfa Seguradora
- Allianz Seguros
- Aliro Seguros
- Argo Seguros
- ASSURANT Seguradora (Virginia Surety do Brasil)
- Austral Seguradora
- AXA Seguros Brasil
- Azul Seguros
- Banestes Seguros
- Banrisul – Rio Grande Seguros e Previdência
- Berkley Brasil Seguros (WR Berkley)
- BMG Seguros
- Bradesco Seguros
- Bradesco Vida e Previdência
- Brasilseg (Banco do Brasil Seguros)
- BTG Pactual Vida e Previdência
- Capemisa Seguradora
- Cardif do Brasil (BNP Paribas Cardif)
- Chubb Seguros Brasil
- CNP Seguradora (grupo Caixa/CNP)
- EZZE Seguros
- Essor Seguros
- Fairfax Brasil Seguros
- Generali Brasil
- HDI Seguros
- Icatu Seguros
- Itaú Seguros
- Liberty Seguros
- MAG Seguros (Mongeral Aegon)
- Mapfre Seguros
- MetLife Brasil
- Omint Vida e Previdência
- Porto (Porto Seguro)
- Pottencial Seguradora
- Previsul Seguradora
- Prudential do Brasil
- QBE Brasil Seguros
- Safra Vida e Previdência
- Sancor Seguros do Brasil
- Sompo Seguros
- Suhai Seguradora
- Sura Seguros
- Swiss Re Corporate Solutions Brasil Seguros
- Tokio Marine Seguradora
- Too Seguros
- Seguros Unimed (vida/previdência)
- XP Vida e Previdência
- Zurich Minas Brasil Seguros / Zurich Santander Brasil Seguros e Previdência
Referências institucionais e rankings do setor que embasam a listagem: Sincor-SP – Ranking das Seguradoras 2024, Valor 1000 – As 50 maiores seguradoras (ramos gerais) 2024 e SUSEP — Painel de Inteligência e cadastro de supervisionadas. fenacor.org.brinfograficos.valor.globo.comwww2.susep.gov.br
Conclusão prática
- Na dúvida, não defina “um valor qualquer”: substitua “estimativas” por RCN/RCNLD calculado, com memorial fotográfico e critérios replicáveis.
- Balanço ≠ Seguro: valores contábeis não capturam custo de reposição, logística e lead times de mercado.
- Pareto não protege fábrica: analítico completo evita lacunas e sustenta blanket limits inteligentes.
- Laudo técnico = menos litígio: facilita underwriting, reduz disputa de sinistro e acelera a indenização.
- Seguradoras e reguladores (SUSEP/CNseg) valorizam documentação robusta: isso pesa no pricing e na aceitação. cnseg.org.br
Se você quer eliminar o risco de subseguro e ganhar governança sobre o Ativo Imobilizado, a AXS Consultoria Empresarial – Divisão de Ativos executa inventário analítico, avaliação para fins de seguro, integração com apólice (schedules, sublimits, franquias) e suporte técnico durante a contratação e eventuais sinistros. É o caminho seguro — e tecnicamente defensável — para proteger seu patrimônio.
Data: 28/08/2025